Rita Ribeiro - Tecnomacumba - 2006Rita Ribeiro - Tecnomacumba - 200601 Saudação - Abertura (Rita Ribeiro / Jongui)
02 Domingo 23 (Jorge Benjor)
03 Cavaleiro de Aruanda (Tony Osanah)
04 Babá Alapalá (Gilberto Gil)
05 Oração do Tempo (Caetano Veloso)
06 A deusa dos Orixás (Toninho / Romildo)
07 Iansã (Caetano Veloso / Gilberto Gil)
08 Rainha do Mar (Dorival Caymmi)
09 É d´Oxum (Gerônimo / Vevé Calazans)
10 Coisa da Antiga (Wilson Moreira / Nei Lopes)
11 Cocada (Antonio Vieira)
12 Jurema (Rita Ribeiro)
13 Tambor de Crioula (Junior / Oberdan Oliveira)
14 Canto para Oxalá (Rita Ribeiro) Não há senha/No Pw
TECNOMACUMBApor Caetano VelosoFaz algum tempo que venho ouvindo com curiosidade e agrado uma voz de mulher que impressiona pela firmeza, pela limpeza do som, pela naturalidade da afinação. É uma voz que ouvi primeiro casualmente no rádio do carro e que sempre me fez parar para atentar e me perguntar: quem é essa cantora que tem a emissão lisa (sem vibratos) mais impressionante que ouvi em muito tempo? De quem é essa voz encorpada e delicada, de quem são esses glissandos seguros e de grande efeito experimental sem sombra de vulgaridade? Aprendi o nome de Rita Ribeiro ao encontrar as respostas a essas perguntas. Agora, em parte num movimento de buscar usos significativos para suas invenções vocais, Rita desenvolveu esse projeto a que deu o nome de Tecnomacumba. Os cantos e toques das religiões afro-brasileiras e sua sintonia com os ritmos desenvolvidos no uso de instrumentos eletrônicos. O resultado é rico, honesto e sugestivo. O disco é um produto de nÃvel profissional impecável, uma prova de que o Brasil anda com as próprias pernas. As combinações rÃtmicas e timbrÃsticas das programações eletrônicas com os instrumentos tocados por gente são equilibradas. O repertório é uma antologia de composições sobre o tema das religiões africanas no Brasil - sempre emolduradas por cantos saÃdos diretamente dessas práticas religiosas. Às vezes somos levados a nos perguntar coisas como, por exemplo, se o canto sobre Tempo ecoa as lavadeiras de Monsueto ou se o samba de Monsueto é que foi tirado daquele canto. Assim, há um rendado de motivos, uma rede de lembranças e referências que dão uma textura interna especial ao trabalho. O resultado fica mais para um pop elegante, em que uma boa banda de acompanhamento é temperada por sons tecno, do que para um mergulho radical no mundo dos batuques e da eletrônica. Mais uma vez, o que ressalta é a voz de Rita, sua segurança simpática (isso não é fácil nem freqüente), seu timbre cheio, seus ornamentos chiques porque personalÃssimos, sua nobreza maranhense. Esse disco tem um futuro intrigante e pode vir a dizer mais do que parece agora. Vamos ouvir e esperar. Fonte: Site do Biscoito Fino
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